10 abr

Estação das Docas de Belém do Pará: um resgate da história do porto da cidade.

A capital do estado do Pará, Belém do Pará, está presente em importantes passagens da história do Brasil e também em poemas de grandes escritores de renome nacional, como Manoel Bandeira e Mário de Andrade. Além disso, Belém encanta os visitantes de diversas formas, seja pela história, pela cultura, pelo povo, pelas ruas cercadas por mangueiras ou pela costumeira chuva de todas as tardes, tais características a torna excepcional, deixando saciada a vontade de conhecer a cidade e salientando a admiração e boas lembranças do local.

A primeira imagem mostra as famosas ruas de Belém cercadas por mangueiras; a segunda imagem traz a típica chuva que cai todas as tardes na capital paraense.

A origem de Belém está ligada à construção do Fortim “Presépio de Belém”, por Francisco Caldeira Castelo Branco, em 1616, que algum tempo depois veio a dar origem à cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará, e, posteriormente, em Belém do Pará, sendo a primeira capital da Amazônia (Coimbra. 2002). Com quase 400 anos de idade, a cidade passou por profundas transformações urbanas e marcou importantes momentos na história do Brasil, como o período de seu povoamento (séculos XVII e XVIII), a cabanagem (início do século XIX) e o período da borracha (no século XX), nesse momento o município recebeu um grande número de famílias vindas da Europa. Todos esses fatos influenciaram diretamente na arquitetura da cidade, existindo até hoje as fachadas dos casarões do Centro Histórico de Belém, as igrejas e capelas do período colonial e os imponentes edifícios daquele período.

Assim como a maior parte das cidades do período colonial, geralmente localizadas próximas de rios e mares, Belém é banhada pela baia do Guajará – formado pelo encontro da foz do rio Guamá com a foz do rio Acará – é a porta de entrada para a região Amazônica. Seu porto, capaz de receber simultaneamente grandes navios, teve (e ainda tem) grande influência sobre o comércio e locomoção da cidade. O primeiro porto surgiu na forma de um simples ancoradouro, próximo ao terraço onde estava instalado o Fortim do Presépio e, durante todo o século XVII, este ancoradouro serviu como o porto da cidade, representado apenas por uma rampa de pedras. A partir da segunda metade do século XVIII, sob o poder do até então governador do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, foi criada a Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão, que trouxe bastante prosperidade à região (Calman. 1963).

Vista atual de Belém tirada do meio da baia de Guajará.

Durante o século XIX, o movimento comercial em Belém aumentou consideravelmente e as exportações eram em grandes quantidades, o que se fez necessário a construção de um novo porto, outro fator que tornou isso indispensável também foi as viagens fluviais para o interior do estado que foram ampliadas. Mas o que realmente impulsionou a construção de um novo porto foi a exportação da borracha, que no final do mesmo século, atingiram níveis muito elevados. Em 1897, o Governo Federal encomendou ao engenheiro Domingos Sérgio de Sabóia e Silva um estudo visando a construção de um novo porto. A partir desse estudo, foi aberta uma concorrência pública para a execução das obras do novo porto de Belém, em 1902, porém essa primeira concorrência não foi concretizada, pois os contratantes não assinaram os papéis no prazo estipulado. Dessa forma, em 18 de abril de 1906, uma nova concorrência foi aberta, vencida pelo engenheiro norte-americano Percival Farquar.

Para levar em diante o projeto, Farquar organizou a Companhia Port of Pará, nos escritórios da Corporation Trust Cº,         em Portland, Estados Unidos. Farquar obteve a aprovação do seu projeto pela renomada firma S. Pearson Sons, responsável pela construção dos portos de Liverpool e Londres. Farquar e o engenheiro responsável pela obra, W. Pearson, começaram a construir a armadura do porto, colocando grandes blocos de concreto pré-fabricados que foram assentados e interligados entre si, enquanto que, simultaneamente, o fundo da baia de Guajará era escavado para aumentar a profundidade e a área onde foram construídos os armazéns era aterrada.

As obras continuaram em ritmo acelerado e em 1914 estavam construídos 1869 metros de cais, 13 armazéns de estrutura metálica e 6500 metros de vias férreas; para carga e descarga do porto foram instalados 11 guindastes elétricos e o cais era iluminado por 2200 lâmpadas elétricas. Porém, com a crise da borracha, associada a I Guerra Mundial, as obras no porto foram comprometidas e paralisadas. Tal crise se estendeu até 1940, quando a Companhia Port of Pará passou a ser controlada pelo Governo Federal do Brasil. Em 1967, foi fundada a Companhia Docas do Pará (CDP), cuja função era de realizar a administração dos portos e terminais do Pará, atuando nesta função até os dias atuais.

Com o passar do tempo uma área dos armazéns do porto de Belém entrou em desuso e a região encontrava-se bastante marginalizada, com assaltos, consumo de drogas, prostituição freqüentes. No entanto, em 2000, a área foi apresentada a cidade totalmente renovada com uma proposta moderna para um novo local turístico de Belém. A Estação das Docas, como passou a ser chamada, é o resultado de um cuidadoso processo de restauração e revitalização dos armazéns que se localizavam no antigo porto de Belém. Os três galpões de ferro inglês que compõem o complexo, característicos da arquitetura do século XIX, foram recuperados e agregados a novos materiais (painéis de vidro, ares-refrigerados, nova iluminação, aparelhos tecnológicos), que deram um aspecto totalmente renovado e valorizando grandiosamente o local. A Estação das Docas foi inaugurada em 13 de maio de 2000 e é atualmente um dos espaços da capital paraense que mais remetem a região amazônica, nos aspectos artístico, cultural e gastronômico, trazendo nova vida para aquela área.

O complexo da Estação das Docas.

Com 500 metros de orla e 32 mil metros quadrados de área edificada, a Estação dividi-se em 3 galpões de ferro, um moderno ancoradouro flutuante, um terminal de passageiros, um anfiteatro feito a partir das ruínas do Forte de São Pedro Nolasco (Construído em 1665) e o teatro Maria Sylvia Nunes. Os galpões foram chamados de armazéns e cada armazém foi batizado de acordo com a atividade nele desenvolvida – O Armazém 1 é chamado de Boulevard das Artes; o Armazém 2 passou a ser o Boulevard da Gastronomia; e o Armazém 3 é conhecido como Boulevard das Feiras e Exposições. Na área externa aos galpões ainda pode ser contemplado os guindastes fabricados nos Estados Unidos no começo do século XX, e a máquina a vapor, construída em meados de 1800, que fornecia energia para os equipamentos do porto. É um espaço que não se pode deixar de ir ao visitar Belém.

Imagens internas e externas da Estação das Docas.

A capital paraense, conhecida também como “a metrópole da Amazônia”, hoje garante estrutura e logística para quem deseja conhecer e vislumbrar a cultura local. Para quem quer acompanhar os passos e a força do povo de Belém e, dessa forma, também sentir a força dos povos amazônicos, a Estação das Docas é o local ideal, porque através de um trabalho sério de planejamento, conseguiu restaurar uma área que se encontrava em desuso e reuniu num só espaço importantes características da cultura paraense, como a culinária, os ritmos, as manifestações artísticas, etc. mostrando a quem se interessar as verdadeiras riquezas deste fascinante lugar.

Referencias Bibliográficas

CALMON, Pedro. História do Brasil (Século XVI – Conclusão, As Origens. Século XVII – Formação Brasileira). Volume II. 2ª Edição. Livraria José Olympio. Rio de Janeiro. 1963.

COIMBRA, Oswaldo. A Saga dos Primeiros Construtores de Belém. Imprensa Oficial do Estado. 2002.

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