26 ago

Entrevista com a arquiteta e urbanista Dr.ª Livia Salomão Piccinini

“O princípio de pensar globalmente e agir localmente é ainda válido”. Acompanhe uma enriquecedora entrevista com a arquiteta e urbanista e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Dr.ª Livia Salomão Piccinini.

Professora Livia Salomão Piccinini.

Livia Salomão Piccinini possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS (1982). Mestrado (M.sc.) em Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em Habitação Social, pela Faculty of Economics and Political Science, da University of London, UK (1992). Doutorado em Planejamento Urbano e Regional, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS (2008), com ênfase em Planejamento de Políticas Habitacionais. Professora do Departamento de Urbanismo da Faculdade de Arquitetura da UFRGS desde 1997. Atua em Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Políticas Públicas de Habitação e Teoria de Desenho Urbano. E-mail: liviapiccinini@hotmail.com

Renato Lobato: A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) vem se destacando anualmente em pesquisas que apresentam o ranking da qualidade das universidades no mundo e possui também uma das mais importantes faculdades de arquitetura e urbanismo do Brasil. Você fazendo parte da UFRGS desde sua graduação e, agora, como docente o que sente em relação a esse reconhecimento?

Livia Piccinini: Eu me sinto muito honrada em estar na Universidade, e na UFRGS. O esforço tem sido grande no sentido de formar melhor os estudantes, os professores, de promover intercâmbios interinstitucionais, nacionais e internacionais, e atuar junto à comunidade.

Como professora, na formação dos jovens estudantes de arquitetura e os de pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional, tenho tido a possibilidade de momentos excelentes de debate e crescimento. Acredito que a educação é a saída para a libertação na perspectiva que nos falam Morin e Maturana: é preciso conhecer o conhecer, isto é, reconhecer que o conhecimento é sempre uma tradução, seguida de uma reconstrução. É uma interpretação, cheia de erros, ruídos… O conhecimento não é uma questão dos filósofos apenas, mas é um problema de todos. Viver e conhecer são mecanismos vitais. Conhecemos porque somos seres vivos e isso é parte dessa condição, é condição de vida, de relacionar-se e de organizar-se aí; é viver-criar-recriar.

Eu entendo que a Universidade nos possibilita este espaço de discussão e de recriação de formulações, no e para o ensino, com os estudantes e as comunidades; no fazer uma ciência enraizada nas necessidades do país, é criadora de utopias, um espaço de busca/criação/experimentação coletiva. A relação dialética entre universalidade e particularidade, possibilitada via pesquisa empírica e a reflexão teórica no âmbito da Universidade, permite convivência de múltiplas perspectivas e visões que transcendem o contexto, onde concepções universalizantes colocam as bases sobre as quais se pode fazer a crítica dos valores, da discriminação, do poder, mobilizando as pessoas para uma sociedade mais justa.

Então, eu me sinto muito privilegiada por estar tendo esta possibilidade de estar aqui, onde antes já estive como estudante, cumprindo um papel relevante na formação de profissionais que irão dar soluções aos problemas da moradia e das cidades no país.

Renato Lobato: Professora, você possui uma longa trajetória profissional, sendo considerada referencia para estudantes e profissionais de arquitetura e urbanismo, principalmente no que tange temas sobre políticas públicas de habitação. Conte-nos sobre os motivos que a levaram a escolher essa área como objeto de estudo.

Livia Piccinini: A história é longa! Em 1979, meu marido terminou o mestrado em Planejamento Urbano na UFRJ (Coppe, à época) e foi fazer sua pesquisa para a dissertação, sobre as origens da localização industrial na área de colonização italiana, na cidade de Caxias do Sul, no RS, onde tomamos contato com trabalhadores das indústrias e moradores nas favelas daquela cidade.

Em 1982, no meu projeto final de diplomação na UFRGS, resolvi fazer a reurbanização de uma favela de Caxias. Lembro que, à época, foi uma luta fazer esse trabalho, porque trabalhar com favela não era “coisa para arquiteto”, e foi difícil encontrar quem quisesse orientar meu trabalho final de graduação.  Mas a questão da exclusão, da pobreza, as lutas políticas do período, um senso de responsabilidade social faziam o tema ser empolgante e fui me aprofundando nessa direção.

Em 1992, no mestrado, na Universidade de Londres – Development Planning Unit (UCL), tomei contato com o debate sobre “padrões habitacionais e urbanísticos” e com estudos iniciais sobre a relação “habitação e saúde”, na Faculdade de Medicina Tropical da UCL. Isso foi determinante para meu trabalho futuro: passei a investigar a questão dos padrões habitacionais e urbanísticos na relação com a saúde, retomando conceitos sanitaristas, conceitos de qualidade de vida, discutindo instrumentos e dispositivos urbanísticos, o que foi me levando para a discussão da habitabilidade e da sustentabilidade, investigados na minha tese de doutorado e, ao longo do tempo, isso se tornou uma pesquisa maior, que passou a integrar os conceitos de políticas públicas de saúde e de habitação à paisagem e ao território, e avançou para pesquisa sobre a imigração e colonização no RS.

É um caminho longo e bem interessante, com muitos meandros e pesquisas parciais, empíricas e teóricas. É um constante reiniciar, incluir temas, procurar caminhos, enfim, buscar soluções para os problemas do país.

Renato Lobato: Você já coordenou e ainda coordena alguns grupos de pesquisa e extensão dentro da universidade, dentre eles um que me chamou atenção foi a “Jornada Cidade e Saúde”, que trata a respeito das questões urbanas de exclusão sócio-espacial, saúde e planejamento urbano. Fale mais sobre os objetivos, os envolvidos e os principais resultados alcançados com esse trabalho.

Livia Piccinini: Dentro desse quadro de trabalho, as questões da saúde, em vários âmbitos, são questionadas porque englobam a relação entre o espaço construído (seja ele urbano ou da casa) e os efeitos do espaço sobre a qualidade de vida e, portanto, sobre as condições de saúde. Como meu foco é a população de baixa renda, essas questões se tornam ainda mais complexas porque há sempre o questionamento: é a doença que causa a pobreza ou é a pobreza que causa a doença?

Está sendo iniciada uma campanha, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é a de obrigar a inserção de objetivos de saúde em todas as políticas públicas. Eu considero isso muito importante, porque há todo um conhecimento acumulado de pesquisas com resultados afirmativos sobre a relação saúde–habitação que deveria ser absolutamente incorporado nas políticas públicas: se o Estado não absorve e desenvolve esse conhecimento nas suas propostas – principalmente nas políticas sociais urbanas – quem vai fazer isso? E como, ou porque, ignorar este conhecimento?

Então, os objetivos deste trabalho são os de chamar a atenção dos estudantes, dos tomadores de decisões e das pessoas de maneira geral sobre a questão de que o espaço traz efeitos sobre a saúde das pessoas. Bons espaços tendem a trazer efeitos positivos, melhorar a saúde. Os resultados são pouco percebidos de maneira ampla, mas os estudantes repensam seu papel de resolver problemas, de construir cidade com boa qualidade espacial, ambientalmente responsáveis, com materiais locais, incorporando a preocupação com o desenho, com a vontade dos moradores, com os seus interesses e as suas possibilidades. E, principalmente, comprometidos com a idéia de gerar desenvolvimento: das crianças, da capacidade criativa, da cultura local, incorporando as técnicas e tecnologias de ponta que alavanquem o conhecimento.

Nesse sentido, sou muito guiada pelo Edgar Morin e pelo Relatório Delors, que fala sobre “os sete saberes necessários à educação do futuro”. Refletir sobre os nossos próprios problemas e sobre os problemas do nosso tempo e reconhecer e compreender a condição humana como a condição de um mundo humano complexo coloca a necessária interpretação de que o desenvolvimento sustentável não deve ser apenas um desenvolvimento material, mas intelectual, afetivo, ético-moral, humano, comprometido com a escala planetária.  O novo, agora se faz, como diz Morin, com as contra-correntes: a ecológica; a qualitativa; a da resistência à vida utilitária e prosaica; à resistência ao consumo padronizado; à emancipação à tirania do dinheiro; a contra-corrente em relação a todos os tipos de violência: civilizar, civilizar-se, solidarizar-se “é a ética de compreensão do planeta”.

Renato Lobato: Professora, a sua dissertação de mestrado, intitulada “Housing Standards and Health in Non-conventional Housing Policies” analisa situações referentes às politicas habitacionais não convencionais, um tema interessante e pouco discutido.  Em suma, quais resultados foram obtidos com tais estudos?

Livia Piccinini: Essa pesquisa me leva sempre e sempre à conclusão que padrões não são invenções malsãs, mas ao contrário. Sendo estabelecidos, inicialmente, sobre critérios e princípios básicos de saúde, eles continuam sendo dispositivos que buscam garantir a saúde, a habitabilidade, para os moradores em relação a todas as formas que a especulação da terra e imobiliárias podem tomar.

Os padrões não definem desenhos ou materiais: eles propõem “a melhor maneira” para que as especificações relacionadas à saúde sejam atendidas. Os padrões dizem, por exemplo, em relação a uma moradia, cujo pé direito tem que ser de X metros, cuja largura deve ser Y metros, e cujo comprimento deve ser Z metros, para que seja garantido o volume de ar (W) necessário à respiração. Quando estes padrões são abandonados, há problemas com a saúde.

Os critérios de segurança para atender a um clube, a um espaço público aberto ou fechado, a um shopping center ou, em relação aos serviços, ao número de leitos em hospital que deve corresponder a um determinado numero de população ou ao numero de vagas de estacionamento em uma edifício, são critérios estudados e transformados em  dispositivos urbanísticos (índices, taxas). Quando estes dispositivos não são atendidos, há perigo para os usuários. Então, o que se consegue com essas pesquisas é apontar que os padrões devem ser reforçados, e não abandonados, porque eles são garantidores da segurança e da saúde.

Renato Lobato: Referindo-se agora ao planejamento urbano, muitos países classificados como “emergentes” enfrentam grandes dificuldades estruturais no seu processo de desenvolvimento, incluindo o Brasil. Neste sentido, qual sua avaliação sobre os problemas urbanos das cidades brasileiras e quais seriam as melhores formas para solucioná-los?

Livia Piccinini: Nós temos grandes problemas urbanos. Para mim, o maior deles é a exclusão sócio-espacial. E também acredito que outro grande problema, como país, é a questão da educação e do conhecimento. O que nos leva a aceitar, como sociedade, que milhões de pessoas vivam em condições sub-humanas, em favelas? Como podemos permitir que crianças sejam criadas sem a segurança de uma cama à noite, sem a segurança da escola, sem alimentação suficiente? Acredito que o conhecimento, como propõe Morin, é um caminho para transformar essa realidade, essa sociedade, desabrochando a humanidade em nós. Qual é o nosso projeto de sociedade?

Agora, em termos de soluções urbanas, do urbanismo, da materialidade às respostas projetuais, acredito que as questões de infraestrutura e dos serviços básicos urbanos são as mais prementes: abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, recolhimento e tratamento dos resíduos sólidos, creches, escolas, unidades de saúde, hospitais comunitários; na seqüência, a moradia, que significa a casa estar associada a estes equipamentos e infraestrutura, e, na continuação, a problemática da mobilidade, ou seja, a possibilidade de acessar os espaços necessários à realização da vida urbana (casa-trabalho, trabalho-escola, casa-lazer, enfim, os meios para acessar os locais de realização da vida urbana, ou rural).

Pensar o ensino da arquitetura e do urbanismo coloca a possibilidade de repensar vários temas cujo debate e especulação estão no conjunto de orientações que se colocam ao país, na perspectiva do combate à pobreza, na busca da qualidade de vida das populações, na promoção da sustentabilidade urbano-ambiental. É fundamental delinear os desafios colocados pelas determinações e necessidades sócio-espaciais e os diferentes conhecimentos que podem e devem ser aportados no processo de ensinar-conhecer-gerar conhecimento que já devem estar comprometidos com a realidade.

Renato Lobato: A Amazônia é uma das maiores riquezas do planeta, mas ao longo do tempo vem sendo degradada. As áreas antropizadas e a frequente urbanização desenfreada são alguns dos atores responsáveis por uma parcela disso. Assim sendo, muito precisa ser feito, tanto em questões sociais quanto ambientais. Dentro deste contexto, de que maneira as faculdades de arquitetura e urbanismo podem intervir nesse processo, a fim de tornar a Amazônia cada vez mais relevante tanto para os brasileiros quanto para o mundo?

Renato Lobato: Alguns programas socioambientais e habitacionais atuais, como o PROSAMIM em Manaus e o Vila da Barca em Belém, são caracterizados por levarem em conta uma serie de questões importantes, como os costumes dos moradores para a definição dos programas de necessidades das habitações, além de trabalhos de ressocialização, para inserir novamente a população de baixa renda ao mercado de trabalho. Neste sentido, baseando-se em suas pesquisas, quais as principais questões a serem consideradas para se enfrentar os problemas habitacionais das cidades brasileiras?

Livia Piccinini: Quero responder estas duas questões juntas, pois elas estão implicadas uma com a outra. Acredito que o conhecimento é universal e deve ser universalizado, mas as soluções devem ser locais: é quem vive no local que sabe o que “é o problema”; a partir disso, é possível buscar soluções (que, do ponto de vista técnico, existem!). Posso dizer, daqui de Porto Alegre, que um problema da Amazônia é a geração de empregos para os ribeirinhos, mas os ribeirinhos é que sabem se isso é, ou não, “o problema”. E, se for, se eles querem enfrentar isso, se é uma prioridade para eles.

Acredito que o conhecimento deve estar à disposição das comunidades. É preciso mudar como isso vem sendo feito. Não estou falando de uma desresponsabilização do Estado frente ao planejamento e ao desenvolvimento das regiões do país, nem estou propondo que apenas a participação dos habitantes, dizendo o que eles “acham”, “pensam” ou “querem” vá resolver.

Estou falando de decisões que se baseiam em diferentes formas de conhecimento, um mais técnico, um mais da vivência, e que se complementam. Discordo das posições que entendem que as populações devem decidir tudo e resolver suas questões a partir de suas vivências. Isso é uma negação do conhecimento, é uma tentativa de decidir reinventando a roda: não temos mais tempo, nem recursos (naturais, humanos) sobrando para deixar o futuro à sua própria sorte. Como dizia o planejador chileno Carlos Maltus, se não planejarmos, estaremos nos colocando completamente à mercê dos acontecimentos futuros.   

A busca por mudança significa que as referências históricas, o entendimento e os modelos de representação da realidade também têm que mudar. E, porque as respostas não são nem estão prontas, é importante elaborar uma espécie de “cenário de ações” que examine as certezas e aceite as incertezas das situações, as probabilidades, as impossibilidades, o imprevisível, as turbulências, os desvios, os riscos, estabelecendo um compromisso com o desafio, com o novo e com o contexto, com os meios e os fins, nesta nossa realidade que se move entre a organização, a desordem, a ordem. E onde, novamente, no longo prazo, se impõe a questão do acesso ao conhecimento e à educação.

Está havendo uma onda de reorientação no pensamento sobre a relação “conhecer-saber”, que reúne arquitetos, físicos, matemáticos, cientistas da computação, não-cientistas e que elege a natureza dos sentimentos humanos e a própria organização da natureza para conceber suas teorias, explicar as cidades, desenhar casas, criar projetos sustentáveis para as cidades e para a natureza no país, discutir e refletir sobre nossos espaços e problemas e orientar programas de ensino de urbanismo e de arquitetura.

Estes mesmos autores propõem também a disseminação do conhecimento de maneira livre e a partir da criação coletiva via rede (commons), buscando amparo nos conceitos de complexidade da mente e nas suas relações com soluções (urbano-ambientais) de valor significativo na formação dos profissionais para atuarem nas cidades do século XXI.

Renato Lobato: Você é uma grande pesquisadora da área das politicas públicas de habitação e tem um trabalho de amplo reconhecimento, aprofundando seus estudos ao longo do mestrado e, posteriormente, do doutorado. Neste sentido, fale sobre a importância das especializações e pós-graduações na formação do profissional que deseja atuar na área da pesquisa.

Livia Piccinini: Eu acredito que a importância dos cursos de especialização, tais como mestrados e doutorados, são importantes para quem vai atuar na educação e na pesquisa, mas não é necessário que todos os formados passem por estes cursos.

A importância do trabalho prático, na realidade do dia-a-dia, é fundamental para a identificação das necessidades e dos pontos deficientes no país, que demandam onde a pesquisa deve ser incentivada, aprofundada ou expandida. Acredito que mais importante do que todos irem para os cursos de pós-graduação é o trabalho conjunto entre as Universidades, o Estado e a iniciativa privada em suas diferentes instâncias.

A Universidade tem muito a contribuir. Tem um conhecimento acumulado, tem método de pesquisa, tem modelos de avaliação. A relação dialética entre universalidade e particularidade, possibilitada via a pesquisa empírica e a reflexão teórica no âmbito da Universidade, permite convivência de múltiplas perspectivas e visões que transcendem o contexto, onde concepções universalizantes colocam as bases sobre as quais se pode fazer a crítica dos valores, da discriminação, do poder, mobilizando as pessoas para uma sociedade mais justa.

O Estado, a indústria, os empresários tem condições de identificar os pontos críticos porque estão no mundo, na realidade das necessidades diárias, das demandas, das deficiências, das possibilidades.

Renato Lobato: Para finalizar, atualmente, vem sendo despertado o interesse de profissionais da Amazônia continuarem seus estudos nas instituições do eixo sul-sudeste. O que você acha de estudos amazônicos serem desenvolvidos nas universidades que ficam fora da região?

Livia Piccinini: Como falei anteriormente, acredito que há diferentes formas de conhecimento e que são complementares. E mais: acredito firmemente que esta complementaridade deve ser buscada fortemente, como maneira de reforçar os laços humanos.  Obviamente, a realidade amazônica não pode ser aprisionada por princípios ambientais, de desenvolvimento ou de estilo de vida, que servem ao nordeste, ou ao sul.

No entanto, há métodos e teorias que auxiliam no desenvolvimento de metodologias de análise que podem ser utilizadas na reflexão sobre diferentes realidades, sem prejuízo da realidade local. O princípio de pensar globalmente e agir localmente é ainda válido. Além disso, avançar na direção de aprofundar estratégias e procedimentos que promovam o conhecimento, que alavanquem a pesquisa e as ações voltadas à economia e ao desenvolvimento sustentáveis, via reorientação educacional para a sustentabilidade, é uma tarefa de toda a sociedade.

Assim, entendo que pensar a Amazônia é uma é uma conjugação de esforços, cujo primeiro resultado é não precisar reinventar a roda, porque isso é gastar energia desnecessária. A identificação dos procedimentos e práticas que se assentem sobre o combate à injustiça social, que busque a inclusão social, práticas justas, econômica e socialmente, situando os habitantes na realidade e na responsabilidade para com os demais humanos, é um desejo humano básico, de integração e de irmandade sustentável e planetária.

As práticas e o objeto do ensino é que devem ser buscados, modificados, direcionados na intenção das práticas sustentáveis e do combate à degradação humana e ambiental, promovendo a tolerância, a aceitação da diversidade e da diferença, onde a alteridade seja um princípio associado à solidariedade moral e intelectual. Então, entendo que a contradição no desenvolvimento de estudos sobre a região fora da região, pode ser superada quando o entendimento é o de que isso significa abraçar conhecimentos existentes, do ponto de vista teórico-metodológico, onde a pesquisa empírica, sócio-ambiental e a reflexão sejam realizadas local e coletivamente.

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