25 mai

Welcome to the Jungle…

“Welcome to the jungle

We take it day by day

If you want it you’re gonna bleed

But it’s the price you pay”

(Bem-vinda à selva

Nós a enfrentamos dia após dia

Se você quiser, você vai sangrar

Este é o preço que você pagará)

Se os Guns N’ Roses escreveram a letra acima para o inferno de se viver em uma cidade grande, com seus perigos e aventuras, esta canção também se aplica ao encontro do “American Way of Life” e os desejos de Henry Ford em Belterra no início do século XX no Brasil. Naquele período,quando o Ciclo da Borracha entrava em declínio na Amazônia, e, surgia o domínio da Malásia, na plantação de borracha no cenário  mundial, emergiu uma idéia megalomaníaca, liderada pelo magnata americano da Ford Company: plantar borracha na Amazônia para suprir as necessidades do mercado norte-americano, o instrumento para alcançar tal objetivo foi a criação de sua Company Town, no Estado do Pará . Esta experiência contraditória, envolveu as necessidades capitalistas de explorar a rica região amazônica para obter lucro, mas também, procurou melhorar a vida de milhares de homens que viviam isolados na floresta entregues ao “seja o que Deus quiser”.

Homens "limpando" a Floresta( Imagem do Livro de Greg Grandin)

Os termos da concessão isentavam a Companhia Ford do pagamento de qualquer taxa de exportação de borracha, látex, pele, couro, petróleo, sementes, madeira ou qualquer outro bem produzido na gleba. As negociações foram conduzidas pelo brasileiro Jorge Dumont Villares, representante do governador Dionísio Bentes, que visitou Henry Ford  nos EUA. Os representantes da Ford, para receber a área, foram O. Z. Ide e W. L. Reeves Blakeley (Grandin, Greg 2009).

Company Town, como o próprio nome diz, é uma Companhia Empresa em forma de cidade ou Vila. E como já foi mencionado em outros texto do “The Green Club”, várias empresas foram instaladas no norte do Brasil com   a mesma finalidade: Carajás, Jarí Celulose, Serra do Navio, entre outros. A idéia central á abrigar as necessidade de unir o aumento de produção, aliado ao lucro, além do controle da força de trabalho.

Os instrumentos para alcançar estes objetivos, eram uma grande organização estrutural que envolve: construções de hospitais, escolas, casas, supermercados, espaços de socialização para os operários,  redes de transportes e até mesmo alguns luxos das grandes cidades para esses lugares remotos. No caso da Amazônia, em grande parte, a “Company Town” sempre relaciona-se com companhias extrativas. Neste artigo referimo-nos à plantação em série das seringueiras e suas estrutura urbana.

Sabe-se também que o desejo de construir novas sociedades modelos, remontam as experiências de Robert Owen( 1771-1858), Charles Fourier(1772-1837) e seu falanstério, William Morries, Ebenezer Howard: cada um com seus princípios ideológicos e senso de organização espacial. No ano de 1927, Henry Ford contratou os mais importantes especialistas do mundo para o seu projeto na floresta, contou com o apoio moral de amigos como Thomas Edison e Harvey Firestone.

Os sonhos de unir uma comunidade industrial e agrícola por Ford foram frustrante pois os solos da Amazônia são ácidos e inférteis , a falta de familiaridade com a região pelos estudiosos contratados, trouxeram inúmeras frustrações.  Com o tempo descobriram que as seringueiras não poderiam ser plantadas em séries. Para se extrair o látex era necessário seguir as técnicas centenárias de embrenhar-se na selva, pois quando as seringueiras eram plantadas próximas uma das outras as mesmas eram contaminadas por pragas, o que impossibilitava seu comercio. Uma dessas pragas eram microorganismos do gênero Microcyclus que dizimaram as plantações.

As pessoas que viviam nesta região eram simples e analfabetas, dependentes de atividades extrativistas. “Ford esperava que os químicos transformassem minerais, óleos e plantas encontrados  em sua propriedade em lubrificantes, combustíveis ,tintas, sabões, cordas , fertilizantes e inseticidas”(Grandin, Greg 2009). As autoridades brasileiras tinham muitas inseguranças em ter “todo aqueles americanos” na região e também contribuíram para o insucesso do projeto, insuflando a população contra os “gringos”.

Em 1927, existiam somente casas de palafita na região, coberta por folhas de  árvores, e chão de terra batido, os moradores dormiam em redes ou no chão. Casas foram providenciadas, bem como toda a infra-estrutura de equipamentos urbanos, pavimentação de ruas, construção de escolas e hospitais , que até hoje servem a população local.

Um Bangalô para a nova cidade(Imagem do livro de Greg Grandin)

Segundo Lucchese “em cinco anos, o projeto ganhou dimensões incomuns para a região naquela época: campos de atletismo, lojas, prédios de recreação, clube de sinuca, cinema”. O professor Greg Grandin mostra ,em seu livro, fotos fascinantes deste período  incluído, o campo de golfe utilizado pela população, para Ford “o golfe encorajava  a participação dos espectadores não como parte de uma equipe, mais como indivíduos”.

Campo de golf(Imagem do livro de Greg Grandin)

“De 1938 a 1940, Belterra viveu o seu período áureo e foi considerado o maior produtor individual de seringa do mundo. A  cidade é dividida em vários núcleos, como o objetivo era explorar a seringa, pequenos agrupamentos de casas ficavam cercadas pelos seringais, e o núcleo maior, hoje centro da cidade, é o núcleo 5, que concentra o pequenos comércio da cidade, e onde estão as casas melhor conservadas. por árvores frutíferas (como os maravilhosos jambeiros) e jardins floridos e bem cuidados”(Lucchese, Cecília).

Belterra atualmente(Fonte:http://theurbanearth.wordpress.com/2009/12/06/belterra-a-company-town-de-henry-ford-na-amazonia/)

Vivenciar a tranformação do espaço amazônico através das “Company Towns”, é algo que já vem sendo desenvolvido por muito estudiosos, e quando maior o números de pesquisadores interessados no assunto melhor serão as possibilidade de um diálogo seguro e rico sobre a região.  Precisamos sim, de cidades planejadas, mas como evitar o fracasso de grandes projetos econômicos? Como respeitar a cultura local e impedir a disputa de vaidade entre estrangeiros empreendedores e brasileiros inseguros.

belterra-nucleo-5-cas(Fonte:http://theurbanearth.wordpress.com/2009/12/06/belterra-a-company-town-de-henry-ford-na-amazonia/)

Apesar do Brasil ser visto como um país aberto, multicultural, há pouco tempo existia um slogan xenófobo que dizia que ” O melhor do Brasil é o brasileiro”, o que nos faz questionar se o melhor do Brasil não é cidadão que ajuda a construir uma grande nação, independentemente de ter nascido aqui ou não, pois as novas gerações precisam ir muito além do nacionalismo excessivo e adaptarem-se a nossa realidade global, respeitando importantes princípios como o da tolerância entre os povos e a diversidade cultural.

Referência Bibliográfica

Grandin, Greg. Fordlandia: The Rise and Fall of Henry Ford’s Forgotten Jungle City. New York, Picador, 2009.

Webgrafia

Site da professora Cecília Lucchese, com acesso em 24/03/2011 : http://theurbanearth.wordpress.com/author/cissie55/page/2/

comentários

Ricardo 26/5/2011 - 11h 27

Parabéns, eu desconhecia a presença da Ford Company na Selva. Beijos de terras lusitanas

Carmen 28/5/2011 - 11h 10

Excelente ! Poucos brasileiros conhecem acontecimentos tão importantes como a construção de Forlandia no meio da selva Amazonica.Parabenizo, voce Bianca, por esta sábia iniciativa de divulgar tal fato para o mundo.Um grande abraço,Carmen

Marilene 28/5/2011 - 11h 28

Cada dia eu fico mais fã deste site
!Decedi que no mes de Julho vou conhecer Belterra .Marilene

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