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O projeto Jari Celulose e os seus reflexos na região de Monte Dourado.

A Amazônia é um lugar fascinante, considerada a floresta tropical com a maior biodiversidade do mundo, é dotada de recursos vitais para manter o equilíbrio do planeta. Ainda assim, por trás de toda essa grandiosidade, ela também guarda muitas outras riquezas, algumas até desconhecidas pelo próprio homem. Dentro deste contexto, é que em 1967 o empresário norte-americano Daniel Keith Ludwig vislumbrou a instalação da empresa Jari Celulose, na divisa entre os estados do Amapá e do Pará, com o objetivo de desenvolver um polo agroindustrial na região, que no final das contas, resultou apenas na produção de celulose e no desenvolvimento de uma sede muito bem estruturada, na região de Monte Dourado.

Diagrama de Localização

Fonte: The Green Club.

Imagem aérea da região de Monte Dourado.

Fonte: Heraldo Amoras (disponível em: httpstatic.panoramio.comphotosoriginal15161617.jpg)

Daniel Ludwig foi um verdadeiro visionário, sendo um dos primeiros a ver a Amazônia como uma potencia para o desenvolvimento de projetos de grande porte. Primeiramente ele adquiriu uma grande área rural, na região entre os estados do Amapá e do Pará, seguindo o curso do rio Jari, com um total de 16 mil km², o equivalente ao Estado de Sergipe ou 10 cidades de São Paulo. Foi um dos maiores proprietários rurais do planeta naquela época. Para a instalação do empreendimento, ele mandou construir no Japão uma fábrica de celulose, utilizando tecnologia finlandesa. Foram feitas duas plataformas flutuantes, uma para a produção de celulose e a outra para a produção de energia. Enquanto a fábrica estava em construção no Japão, na Amazônia o local destinado para a sua implantação estava sendo preparada, a fundação da futura fábrica foi toda feita por estacas, para que quando a mesma chegasse, fosse apenas assentada sobre as estacas, já que viria toda montada. Em 1978, após o término da construção da fábrica, as duas plataformas foram rebocadas do Japão para a região Amazônica, numa distancia de 25 mil quilômetros, que durou 53 dias, e essa viagem ficou bastante conhecida na época.

Imagens do transporte da fábrica para a região de Monte Dourado.

Fonte: http://www.klepsidra.net/klepsidra25/rs-mt.htm

A fundação da fábrica é toda feita por estacas.

Fonte: André Alves Lima (Disponível em: http://www.klepsidra.net/klepsidra25/rs-mt.htm)

Muitas outras atitudes foram tomadas para poder propiciar a melhor instalação da fábrica, já que a região não era dotada de nenhuma forma de infraestrutura para abrigar um empreendimento de tal grandiosidade; foi necessária a construção de portos, ferrovia e 9 mil quilômetros de estradas. No local também foi planejado a implantação de um projeto de reflorestamento, além de perspectivas de atividades com mineração, pecuária e agricultura, porém a fábrica atuou apenas na produção da celulose.

Entre outras medidas que a implantação da fábrica solicitou, estava a construção de uma cidade para os trabalhadores, batizada de Beiradão. E o desenvolvimento de uma sede, no município de Monte Dourado, que fica no Estado do Pará, mas com terras contíguas do projeto abrangendo partes dos dois Estados (Amapá e Pará). A área onde se localizava a sede da fábrica foi totalmente beneficiada pela instalação da mesma, através de casas para os trabalhadores, escola, posto médico, ginásio de esportes e áreas de lazer que faziam parte do cenário da comunidade.

O projeto tinha tudo para dar certo, se não fossem os inúmeros erros de planejamento da equipe técnica, que ignoraram o solo pobre da Amazônia e não pensaram no fluxo migratório que a implantação da fábrica traria para a região. O solo da região só propiciou o plantio de árvores para a produção de celulose e a cidade dos trabalhadores, Beiradão, tornou-se uma imensa favela sobre palafitas. Em 1982, após investimentos exorbitantes na região, Ludwig se viu obrigado a se desfazer de sua ambiciosa ideia e vendeu a Jari celulose.

Vistas da Fábrica da Jari Celulose atualmente.

Fonte: http://www.orm.com.br/tvliberal/revistas/npara/edicao3/outros/jari.htm

Em 2000, a Jari Celulose passou a ser controlada pelo Grupo Orsa, e Monte Dourado obteve as vantagens do destino da venda da fábrica, já que a que a Jari Celulose não somente tornou-se economicamente viável, como também mostrou-se sustentável, recebendo certificação em 2004 pelo Forest Stewardship Council, uma ONG que atesta o bom manejo de florestas.

Os diversos balneários existentes em Monte Dourado.

Fonte: André Alves Lima (Disponível em: http://www.klepsidra.net/klepsidra25/rs-mt.htm)

Grandes recursos, hectares a perder de vista, investimentos financeiros e então prejuízos. A história da Jari Celulosa implantada da região de Monte Dourado, na Amazônia Brasileira, foi uma dentre tantas outras que mostram as tentativas em obter lucro através da implantação de megaprojetos, mas tiveram suas perspectivas frustradas pela falta de planejamento adequado e, é claro, pelas dificuldades em atuar na maior floresta do mundo.

Imagem de Monte Dourado.

Fonte: Jackson Willhy

Webgrafia

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/gringos-amazonia-525438.shtml?func=2

http://andrealveslima.wordpress.com/2008/08/30/20080828-monte-dourado-para/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos_da_Am%C3%A9rica

comentários

Luciano Borges Moreira 12/5/2011 - 18h 42

Muito rever a história de Monte Dourado uma vez que morei quando criança nesta cidade e meu pai foi um dos engenheiros florestais pioneiros deste grandioso projeto.

Talita 1/9/2011 - 11h 14

Quais foram os aspcetos positivos e negativos do porjeto Jari ?

leila 3/10/2011 - 16h 03

Olá, gostei em parte da sua explanação no que tange esse projeto ousado da Jari celulose, só achei que faltou falar dos problemas que este preojeto trouse o que diz resepeito as questões ambientais e as grandes migrações resultantes do tal projeto que refletiu diretamente nas pessimas condições de vida da população. Do mais, muito bom. Adorei você ter posto o endereço dos sites que você usou como base para formular o texto. Estou desenvolvendo um TCC sobre esse dois municipios Monte Dourado e Laranjal do Jarí e isto tem me ajudado um tantão, abraços :*

RONALDO DE MATOS BARRETO 11/10/2011 - 18h 05

A FAVELA “BEIRADÃO” COMO É DEFINIDA NO TEXTO, NA REALIDADE FOI CONSIDERADA NA ÉPOCA O MAIOR CABARÉ DO MUNDO, SEGUNDO REPORTAGEM DE UMA GRANDE REVISTA BRASILEIRA.

Olemar Ferrer 9/6/2012 - 20h 18

Nós que fizemos parte da história do Projeto Jari ficamos lisonjeados por tudo. Nossos pais ajudaram a contruir esse imenso projeto e nós somos filhos do mesmo.

Jorge Luiz de Souza Neves 20/8/2013 - 12h 13

Trabalhei durante um ano neste espetacular projeto, isso em 89/90, saí de lá e nunca mais consegui retornar, mas ainda tenho muita vontade de voltar para ver atualmente como esta, deixei lá vários amigos, e ainda tenho muitas lembranças, principalmente de nossos finais de semana na “Ponte Maria” um belo balneário! Ali comecei a gostar e admirar o povo paraense.Muita saudade!

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