14 fev

De Detroit a Macapá: novas soluções para velhos problemas urbanos.

Por meio do método comparativo procuramos tecer algumas considerações acerca da mobilidade urbana, para isso selecionamos duas cidades díspares Detroit (EUA) e Macapá (BRA), de como o primeiro pode contar com a participação mais efetiva de alguns cidadãos para solucionar alguns problemas de transporte. Queremos esclarecer que tal propósito comparativo não se oriunda de forma acrítica, uma vez que este meio já é adotado por diversas áreas do saber. Além de ser fundamental a superação de alguns limítrofes.

Detroit é a cidade mais populosa do estado de Michigan, EUA, abriga uma população de 4.296.250 habitantes. Durante o século XIX desenvolveu-se graças ao seu porto. No século XX, com a era da indústria automobilística. Em 1896, Henry Ford aproveitando a indústria de carruagens e ferramentas da cidade construiu o primeiro carro e inaugurou a indústria automobilística americana, e Detroit começa ganhar destaque no cenário.  Em 1980 os EUA perderam seu posto de maior fabricante de carros do mundo, devido aos modelos japoneses.

Figura 01: Skyline de Detroit
Figura 01: Skyline de Detroit. Fonte:www.ibtimes.com

Macapá é a cidade mais populosa do estado do Amapá, situada na foz do rio Amazonas, extremo norte do Brasil, conta com 456. 171 habitantes. A origem do nome vem do tupi, como uma variação de “macapaba”, que significa lugar de muitas bacabas (fruto típico da região). Em Macapá, o desenvolvimento ocorreu principalmente a partir de 1943 com o decreto-lei n.º 5.812, de 13 de setembro, pelo governo Vargas, com a criação do Território Federal do Amapá. Com isso Macapá tornou-se capital do recém-criado território, saltando de mil habitantes em 1944 para 30 mil seis anos depois. Provavelmente impulsionado pela política desenvolvimentista do primeiro governador do estado, Janary Nunes, com a criação das primeiras infraestruturas. Atualmente Macapá e o estado do Amapá enfrentam fuga de capital, e representa o segundo maior êxodo populacional do país, principalmente em direção ao estado vizinho Pará, perdendo só para o movimento de gaúchos que saem do Rio Grande do Sul em direção a Santa Catarina.

Figura 02: Vista aérea de Macapá
Figura 02: Vista aérea de Macapá.Fonte: borgesengenheiro.blogspot.com

Detroit enfrenta atualmente alguns desafios como a segregação, recessão econômica e a recentemente a cidade decretou a maior falência municipal da história dos EUA, com uma dívida de $18,5 bilhões, e como consequência, houve o declínio econômico. A prefeitura de Detroit, junto com empresas privadas e públicas, moradores, igreja e ONG’s trabalham no melhor estilo ianque de empreender projetos. Como uma oportunidade de gerar renda e empregar juntos com uma “força-tarefa”. Quando o jornal O Detroit Free Press anunciou “Projeto Detroit light-rail está morto” e a prefeitura cancelou o Projeto de Mobilidade Urbana de Detroit, Andy Didorosi, de 26 anos, decidiuque faria algo a respeito. Criou uma empresa de transporte coletivo, a Detroit Bus Company.

Figura 03: Ônibus da Detroit Bus Company
Figura 03: Ônibus da Detroit Bus Company.Fonte: thedetroitbus.com

A companhia de transporte surgiu com o dinheiro arrecadado de venda de roupas. Com design irreverente, feito com grafites e outras intervenções criativas. Nas imagens a seguir, podemos ver a reforma pela qual os onibus sofreram, de modo que propiciou aos passageiros um certo conforto e comodidade. O objetivo da companhia de ônibus Detroit Bus Company é oferecer itinerários que integram os subúrbios aos principais pontos de interesse da cidade, de modo a não só diminuir o uso de automóveis, como também atender à população menos favorecida de Detroit. Conforme o exposto, cabe salientar que tal iniciativa partiu de um cidadão morador daquele lugar que teve a chamada responsabilidade social empresarial.

Figura 04: Passageiros dentro do onibus da Detroit Bus Company.
Figura 04: Passageiros dentro do ônibus da Detroit Bus Company. Fonte: www. yelp.com

Em relação ao transporte coletivo, Macapá possui pelo menos 95 mil pessoas que utilizam este modal (21,26% da população). Existe a acessibilidade precária nestes transportes para pessoas que possuem perda parcial ou total de locomoção, ou outras dificuldades sensoriais. E não atende toda a demanda, sendo necessário complementar com outra viagem para chegar a determinados pontos da cidade. Acrescentam, ainda, os atrasos, as falhas mecânicas, a falta de conforto e de padronização de horário. Nesta breve descrição do transporte público macapaense, podemos inferir que permeiam apenas os interesses econômicos na exploração deste serviço. De modo que a população carece de iniciativas que atendam às demandas básicas previstas na Constituição. Iniciativas criativas muitas vezes podem surgir na própria comunidade, como exemplificado com o caso de Detroit.

Figura 05: Andy Didorosi dentro de um dos seus ônibus, logo após ser reformado
Figura 05: Andy Didorosi dentro de um dos seus ônibus, logo após ser reformado. Fonte: www.zipcar.com
Figura 06: Pessoais sentadas no chão sem proteção enquanto aguardam o ônibus.
Figura 06: Pessoais sentadas no chão sem proteção enquanto aguardam o ônibus.Fonte: Leonardo Oliveira Galiano, Câmera de Celular. 25 de Jul. 2015

Nosso trabalho procurou estabelecer alguns pontos para uma comparação entre o transporte coletivo das cidades de Macapá (Brasil) e Detroit (EUA). Evidenciamos a presença da iniciativa popular na cidade americana. Assim podermos trocar experiências que possam ser implantadas. Vivemos em um mundo que cada vez mais se globalizado e que pede mais interligação entre países. A forte ética norte americana do “Faça Você Mesmo” auxilia a própria população ter compromisso e participação. Em em especial, incentiva a própria noção de responsabilidade social em seus empresários para com o lugar. Detroit precisa agir como uma Fênix que volta com mais vigor e força depois que renasce das cinzas. Exemplo simples de como ofertar um ônibus diferenciado colabora para que uma cidade não suma do mapa. Macapá não precisa morrer para aprender, precisa, antes, surgir em seus habitantes a noção de pertencimento.

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