9 mar

Terra de musicalidade: sons de tambores, sons de união.

A cidade de Mazagão no Amapá é um lugar encantador, seus habitantes são agraciados pela natureza e principalmente pela musicalidade contida nos espaços da cidade. Isso se deve aos aspectos históricos e culturais que acompanham a mesma, desde Mazagão Africana até o desenvolvimento da Mazagão Amazônica.

O sentimento de amor dos habitantes pela música é cultuado através de ritmos musicais, alguns como o Marabaixo e o Batuque que possuem raízes africanas e um típico do lugar, o Vominê. Tais ritmos são realizados durante as comemorações festivas da cidade, e cada uma delas possui ritmo específico, por exemplo, o ritmo do Batuque é realizado durante a festa da Mãe de Deus da Piedade, o Vominê é tocado enquanto ocorre a festividade de São Tiago e o Marabaixo na Festa do Divino Espírito Santo.

Ilustração de Jacy Correa Neto

Essas informações nos foram dadas enquanto visitávamos o local onde acontecem os ensaios rítmicos. Lá conversamos com o percussionista e produtor musical Jozué Videira, que é nativo de Mazagão. Ele coordena um projeto cultural chamado “Raízes do Marabaixo”, que tem o apoio da Funarte (Fundação Nacional das Artes, atrelada ao Ministério da Cultura do Brasil). O objetivo desse projeto é contribuir para enriquecimento cultural em Mazagão, através de oficinas que englobam os cantos de Batuque e Marabaixo e a construção de instrumentos musicais de percussão que acompanham tais ritmos.

Tivemos sorte de chegarmos momentos antes da aula inaugural do projeto, o lugar que de início, estava quase que totalmente vazio, tomou-se de pessoas amantes de música. As faixas etárias eram diversificadas, crianças, jovens, homens e mulheres que veem na musicalidade uma maneira de aprender mais sobre os costumes de seu povo e estreitar seus laços sociais.

Grupo cantando e dançando o ritmo marabaixo

A aula inicia-se com um “ladrão”, um tipo de cântico do ritmo Marabaixo, que é caracterizado pela forma de sua execução, os cantores alternam-se durante sua execução, fazendo-o de forma improvisada, enquanto um cantor termina, outro prossegue adequando-o a sua rima.

O envolvimento entre as pessoas durante música e a dança, exala sintonia, enquanto uns cantam outros dançam, alguns ficam sentados e batem palmas para animar. O ritmo é animado e geralmente a letra da música remete a algum louvor para um santo ou às histórias de Mazagão.

Os instrumentos membranofones que ajudam no som são fabricados de forma interessante, são produzidos artesanalmente por alguns habitantes, que utilizam peles de animais silvestres, como as do veado e os troncos de árvores caídos encontrados na floresta. Dentre esses objetos estão o amassador1, o repinicador2, a caixa de marabaixo3, a taboca ou pau-de-chuva4 e os cassetes5.

Instrumentos de percussão

O processo de fabricação desses instrumentos é feito com o auxílio de ferramentas manuais que ajudam o artesão a esculpir o tronco de uma árvore, até que este fique oco. Depois disso a madeira é lixada e preparada para receber a pele animal para posteriormente ser utilizada.

Processo de fabricação de caixa de percussão

São estas manifestações culturais que combinadas com a gentileza de um povo acolhedor, nos fazem conhecer costumes de uma cidade que atravessou o Atlântico e ter a certeza de que seus habitantes tem satisfação de sua identidade cultural, preocupando-se em repassá-la às gerações futuras e como consequência trazer muita alegria a todos que vivem e que visitam a cidade de Mazagão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Araújo, Renata Malcher de.  As Cidades da Amazônia no Século XVIII:Belém, Macapá;Mazagão.Porto,Faup,1998.

Vidal, Laurent. Mazagão a cidade que atravessou o Atlântico.São Paulo, Martins Fontes,2008.

Folder informativo do grupo “Raízes do Marabaixo”.

comentários

carmem 10/3/2011 - 15h 13

Parabens pela pesquisa.O Amapá dispõe de uma riqueza cultural que precisa ser divulgada e valorizada.

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