12 mar

Bebendo, comendo e dançando com os inimigos

Foto de Guy Veloso

Depois de séculos do ocorrido na cidade de Mazagão no Marrocos, a cidade de Mazagão Velho, no Amapá relembra essas mesmas histórias para que não caiam no esquecimento. Retrata na Festa de São Tiago fatos históricos que servem como motivação para chamar os próprios habitantes para se tornarem atores em um evento religioso-cultural, o teatro popular faz com que as tradições estabelecidas na cidade prevaleçam e sejam revividas pelas novas gerações.

A Festa de São Tiago acontece todos os anos no mês de julho, nela acontecem várias reconstituições teatrais assumindo o formato das histórias lá existentes dentre elas a dos Presentes, Baile de máscaras, O menino caldeirinha, Bobo velho, Atalaia, O roubo das crianças, Início e continuação da batalha e a Vitória dos cristãos. A população mazaganense tenta cada vez mais atrair espectadores para assistir esses eventos, buscando maior popularização dos credos cultivados por eles.  Essa festa bicentenária, criada em 1777 por famílias de colonos lusos estabelecidas em Mazagão, tem como com objetivo homenagear o misterioso e destemido soldado que apareceu nas batalhas, lutando ao lado dos cristãos contra os mouros e que teve participação destacada na vitória dos seguidores de Jesus Cristo, motivado pela intervenção divina a seu favor nas batalhas porque acreditava no Cristianismo como instrumento de transformação pessoal e poder maior. Se quiser saber mais sobre esta festa é só ler a postagem de Suellen Conceição, que explica mais detalhadamente o evento.

Desenho de David Braga

Um dos contos mais curiosos é o do Baile de Máscaras, conseqüência do conto dos presentes, que narra o momento em que os mouros enviaram comidas que supostamente estariam envenenadas, então com a desconfiança, os cristãos jogaram parte do presente nas granjas mouras (onde ficavam os animais), e a outra parte guardaram objetivando preparar um contra-ataque. E, por conseguinte, na lenda do Baile de Máscaras, os mouros não sabendo da desconfiança cristã, então começaram a festejar a cilada que pensavam ter pregado aos moradores de Mazagão, à noite, deram um baile, onde convidaram os cristãos que quisessem passar para seu lado, sem que pudessem ser reconhecidos pelos seus superiores.

Os cristãos apareceram mascarados e levando a parte da comida envenenada distribuíram aos inimigos, que dançavam, bebiam e comiam. No outro dia pela manhã, os mouros acharam vários animais mortos em suas granjas junto de restos de comidas das quais eles haviam presenteado os mazaganenses, então começaram a chamar os soldados que ainda estavam ressacados, e logo conseguiram ver que haviam vários deles mortos, inclusive o mestre supremo dos mouros, o Rei Caldeira.

Desenho de David Braga

Esse baile é reconstituído hoje por homens mazaganenses brasileiros, que se vestem a caráter e fazem um belo baile onde mulheres e crianças não entram, para que as crenças não sejam quebradas, mostrando o respeito e o zelo que eles têm para com a sua história. Ao visitar Mazagão na Festa de São Tiago o turista se sente como estivesse passeando pelo tempo e história de um povo heróico, hospitaleiro e gentil. Mas é bom ressaltar que há uma grande quantidade de turistas que vão até Mazagão só para documentar e prestigiar o baile de máscaras, e quem passa por lá sempre quer poder voltar para participar novamente.

comentários

David Braga 13/3/2011 - 21h 25

Maravilha de texto, essa historia tá tão pertinho da gente… que é bonita de se ver pessoas que cultivam todos os
anos para que isso se torne grandioso e cada vez mais reconhecido.

Raísa 19/3/2011 - 14h 52

Gostei do texto, gostei da história. E adorei os desenhos, haha

Danilo 22/3/2011 - 23h 28

good, good.. a historia das mascaras é muito boa, os desenhos estao mmto bons msmo :D

Thay 3/10/2011 - 11h 12

Eu já tive a oportunidade de conferir de perto, e duas vezes a festa de São Tiago, realmente gostei muito.. principalmente o fato de que eles “revivem” a batalha dos Mouros e Cristãos. ;)

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