15 abr

Theatro da Paz: uma jóia neoclássica na Amazônia.

O Theatro localiza-se na cidade de Belém, capital do estado do Pará. Foi construído com recursos da exportação de látex no período do Ciclo da Borracha. Atualmente é um dos teatros mais luxuosos do Brasil e o maior da Região Norte. O Theatro da Paz, originalmente chamado de Theatro Nossa Senhora da Paz, nome dado pelo Bispo da época Dom Macedo Costa, em homenagem ao fim da Guerra do Paraguai, porém o próprio Bispo resolveu alterar ao observar que o nome “Nossa Senhora” seria impróprio para um espaço onde realizavam-se apresentações mundanas e sequer alguma representação religiosa.

Vistas panorâmicas do Thetaro da Paz. Fontes: www.souparaense.com mondobelem.wordpress.com

Perspectiva do Theatro. Autor: Thiago Ferrão.

De características Neoclássicas, foi construído no auge da exploração da borracha na Amazônia. O autor do projeto do primeiro teatro público de Belém, foi o engenheiro militar e pernambucano José Tibúrcio Pereira Magalhães que teve como referência o Teatro Allá Scala de Milão. Porém o traçado original foi alterado, principalmente pela intervenção da Repartição de Obras Públicas. O lançamento da pedra fundamental foi em 03 de março de 1869 e a conclusão das obras se deu em 1874.

Theatro da Paz. Fonte: The Green Club.

O Theatro foi inaugurado no dia 15 de fevereiro de 1878 com todo o esplendor que o momento pedia, com um público de cerca de mil pessoas que se aglomeravam pela rua. No interior do mesmo, quando iniciou o espetáculo, surgiu uma imagem de  Dom Pedro II e em seguida, uma orquestra de 150 músicos executou o hino nacional. O espetáculo inaugural foi o drama “As duas órfãs” de Adolphe D’Ennery, ao som da orquestra sinfônica regida pelo maestro Francisco Libanio Collás. No palco também se revezavam artistas conhecidos do público de Belém como: Vicente Pontes de Oliveira, Xisto Bahia, Joaquim Infante Câmara, Julio Xavier de Oliveira, Manuela Lucci, dentre outros. O espetáculo foi organizado pela companhia de Vicente Pontes de Oliveira. O contrato durou cinco anos, no qual Vicente foi o responsável pela iluminação, decoração, coreografia e acessórios de cena do teatro, alem de organizador das apresentações. Desde a inauguração, centenas de companhias internacionais se apresentaram no palco do Theatro.

Imagem interna do Theatro. Fonte: http://diariodopara.diarioonline.com.br

O Theatro passou por uma grande reforma no ano de 1904, na qual sua fachada foi alterada, na qual foi retirada uma coluna do pórtico frontal superior, que era em numero 07, ferindo assim os princípios arquitetônicos do estilo neoclássico, que exige um numero par de colunas em fachadas frontais. Por insistência da Sociedade Artística Internacional, o Governador da época Augusto Montenegro mandou demolir a fachada que consistia num pátio coberto e reconstruiu recuando a fachada e retirando uma coluna e, no vão que se originou, o que antes era composto por janelas, mandou colocar bustos simbolizando: dança, poesia, música e tragédia e, ao centro, o brasão de arma do estado do Pará. Porem, as características arquitetônicas originais foram mantidas.

Detalhe de pórtico. Autor: Thiago Ferrão.

Esta reforma concedeu ao Theatro da Paz os aspectos de luxo que possui hoje, com seu conjunto de estatuárias, algumas em bronze; lustres trazidos de outros países, escadaria em mármore, piso em mosaico de madeiras nobres e raras.  Atualmente a decoração riquíssima em detalhes, nas laterais, pátios cercados de colunas, escadas que dão acesso à Praça da República, poltronas que reproduzem o formato de ferradura, dentre outros. No saguão existem dois bustos talhados em mármore que representavam José de Alencar e Gonçalves Dias. No salão nobre, encontram-se ao lado de um espelho de cristal os bustos dos maestros Carlos Gomes e Henrique Gurjão. A sala de espetáculo que antes acomodava 1100 lugares foi reduzida para 900.

Imagens internas do Theatro. Autor: Carlos Macapuna.

O Theatro também teve como decorador o italiano Domenico de Angelis que posteriormente decorou o Teatro Amazonas de Manaus. Ele também foi o autor do belo painel que representa os deuses gregos Apolo conduzindo a deusa Afrodite e as musas das artes à Amazônia, um lindo cenário amazônico que fica no teto da sala de espetáculos.

Decorações contidas no Theatro. Fonte: The Green Club.

Durante o Ciclo da Borracha, o Theatro teve seu auge e foi palco das mais famosas companhias líricas. Entretanto, com o declínio da borracha, o Theatro da Paz também passou por um período crítico, pois estava quase sempre fechado por falta de eventos e as restaurações não eram suficientes para lhe assegurar um bom funcionamento. O Theatro da Paz foi reinaugurado no dia 20 de abril de 2002 com a apresentação da Ópera Macbeteth, de Guiseppe Verdi, em uma cerimônia especial para mais de 250 operários que trabalharam na reforma e demais autoridades do Estado, tendo seu tombamento no ano de 1963.

Atualmente o Theatro da Paz é um dos pontos turísticos mais importantes de Belém, turistas do país e do mundo são visitas freqüentes no monumento artístico que abre aos domingos na praça arborizada onde está situado, na qual realiza-se uma feira para a comercialização de produtos regionais e iguarias, alem de pequenas apresentações de artistas locais. Reafirmando assim, os 133 anos de história e cultura.

Link do website do Theatro da Paz: www.theatrodapaz.com.br/

comentários

Kamilla Barbosa 16/4/2011 - 01h 34

Teatro da Paz, um dos + belos pra mim! *-*
Parabéns Su, adorei! ;*

Suany 16/4/2011 - 12h 11

Ótima contextualização!! Com destaque aos detalhes arquitetônicas, fazendo com que até os que nunca visitaram o referido ponto turístico, sintam-se atraídos pela história e beleza ali encontrados!

Aline Franklin 17/4/2011 - 19h 51

Como a nossa Amazônia tem muitas histórias bonitas. Muito bom esse projeto de resgate aos nossos valores culturais, arquitetônicos e artísticos. Parabéns! Belo Artigo.
Bjussssssssss

Matias Ibiapina Jr 18/4/2011 - 00h 26

Bem legal!! Eu q moro em Belém a 17 anos não sabia de toda a história do Theatro. Excelente post!

Rodrigo Souza 18/4/2011 - 00h 36

Muito bom!as riquezas históricas e arquitetônicas da nossa são Amazônia são belas!bacana , suh!!

Alcilia Afonso(kaki) 21/4/2011 - 01h 08

Parabéns pelo blog, vou divulgá-lo entre meus alunos para conhecerem mais as riquezas da arquitetura do norte de nosso país!

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