5 abr

O Forte do Presépio como núcleo de Formação da Cidade de Belém do Pará

O processo de colonização Amazônico tem influência direta pelas constantes disputas por territórios pelas monarquias europeias. A colônia brasileira pertencente a Portugal era alvo de cobiça de nações como a França, Inglaterra e Holanda. Nesse contexto, as construções de fortificações feitas na vasta costa brasileira eram determinantes para proteção das feitorias e do território recém-descoberto. O que levou os portugueses a construção de um Forte no na foz do Rio Amazonas no estado do Pará, dando dessa forma os primeiros passos para a formação da cidade de Belém do Pará.

O que acontece a princípio é o envio da expedição de Francisco Caldeira de Castelo Branco (então Capitão-mor da Capitania do Rio Grande do Norte) com sua comitiva,  que partiram da Baía de São Marcos aportando na Foz do Rio Amazonas, na Baía do Guajará. Ali se instalam e constroem um pequeno Forte de pau-a-pique em 1616, com a finalidade de defender a Amazônia de qualquer espécie de invasões.

Ilustração de Jacy Correa Neto

O traçado deste é realizado pelo Capitão Francisco Frias da Mesquita, engenheiro-mor do Brasil e edificado com o auxílio de mão-de-obra indígena tupinambá. Os materiais construtivos utilizados foram a dupla linha de paliçada (um tipo de vedação feita de madeira e preenchida com areia) e foram empregadas nas cobertas folhas de palmeiras.

A essa fortificação deu-se o nome de São Jorge, que posteriormente foi trocado para Forte do Presépio de Belém e este abrigava em seu interior uma capela destinada ao culto de Nossa Senhora das Graças. Localizava-se em um dos pontos mais elevados do local, fator intimamente ligado às noções estratégicas militares, pois estando em um nível mais elevado a visibilidade tornava-se abrangente tanto quando era dirigida para a terra, quanto voltada para as dimensões fluviais.

Entre os anos de 1621 e 1626 esse modelo de fortificação estava deteriorando-se, sendo reedificado no comando do Senhor Capitão Mor da capitania do Pará, Bento Maciel e substituído por métodos construtivos mais sólidos: a taipa de pilão (parede feita de barro ou cal e areia com estacas e ripas de madeira). Durante este momento construiu-se no forte uma capela dedicada ao Santo Cristo feita também com taipa de pilão. Vale ressaltar com a reedificação a fortificação assume formato quadrangular possuindo com noventa braças de muralha pela parte da terra, de sete palmos de espessura, dezessete palmos de altura e três baluartes.

Os anos se passaram e o Forte novamente torna-se danificado e somente em 30 de maio de 1721 têm se a ordem do Rei para os possíveis reparos no Forte de Belém e nas outras capitanias. As mudanças não se delimitam em aspectos estruturais, mas também no próprio nome de Forte, que passa a ser chamado de o Castelo do Senhor Santo Cristo. E em 1728 são contratados técnicos para recuperar e reparar a fortificação, entre eles: o chefe das operações, o engenheiro de fortificações Carlos Rolim e o pedreiro encaminhado de Lisboa Francisco Martins contratado em Lisboa.

Muito embora se tenha conseguido realizar os reparos, estes não exibiram longa duração, pois os métodos construtivos utilizados foram incapazes de resistir as variáveis das intempéries. Tornando-se cada vez mais vulnerável à ataques inimigos, o Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo, se distanciava do conceito de fortaleza, ou de coisa parecida.

Desde esse período até 1848 ocorreram transformações no forte como: alguns reparos na estrutura com taipa, o Castelo serviu em algumas ocasiões como abrigo de enfermos, já que não existia hospital na região. Outro fator foi a tomada do Forte pelos revolucionários durante o movimento da cabanagem.

Em 1848 houve a autorização para reparos significativos no Forte através da Carta Imperial, entre esses reparos e adições estavam: a construção da ponte sobre o fosso, de casas e quartéis para soldados, de um porão e muralhas de pedras para em direção do mar. Nos anos que seguiram de 1905 a 1920 foram realizadas obras a fim de melhorar o cais do porto de Belém, estando o Forte no perímetro dessas mudanças, que eram efetuadas pela empresa privada “Port of Pará” acabaram sendo feitas alterações pela companhia, como por exemplo, foram adicionadas várias construções como dois chalés de alvenaria no pátio do forte, no recinto um chalé com dois pavimentos, um pequeno banheiro, uma latrina nas dimensões 2,5x 3,5 m e um barracão que se encontrava na região do fosso. Também foram realizadas mudanças no que concerne a instalações de esgoto e canalização de água e na construção de uma área cimentada reservada aos militares para a prática de tênis.

Ilustração de Jacy Correa Neto

Em 20 de novembro de 1920 quando se encerra o termo de entrega do forte pela companhia, os civis que habitavam nos edifícios do Forte tiveram de se retirar num prazo de três dias. Há uma lacuna na história do forte, sua cronologia só vem ser retomada, quando em 1962  é decretado o tombamento do Forte do Castelo como patrimônio cultural do IPHAN(Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

A edificação militar passa por reformas em 2002 sendo integrada no projeto de atração turística do Pará denominado “Feliz Lusitânia”, nas escavações realizadas durante o restauro foram achados utensílios e peças indígenas. Outro fator importante é novamente a mudança de nome do Forte, que com o projeto retoma uma de suas primeiras denominações: Forte do Presépio. Atualmente este funciona como museu, em que a história da colonização de Belém é relatada e onde também são exibidas peças arqueológicas do povo indígena.

O Forte é impregnado e riquíssimo em história, pois é o embrião de todo o desenvolvimento da urbe paraense, a partir dele a cidade teceu sua malha urbana, pôde ser edificada e estabelecer suas relações sociais, atualmente sendo considerada umas das maiores metrópoles do Brasil.

Imagens atuais do Forte do presépio por Karen Bechara

REFERÊNCIAS

COSTA, Dayseane Ferraz da. Além da Pedra e Cal: A (Re)Construção do Forte do Presépio (Belém do Pará, 2000-2004). Tese de Mestrado em História Social da Amazônia. 2007.

ARAÚJO, Renata Malcher de.  As Cidades da Amazônia no Século XVIII:Belém, Macapá;Mazagão.Porto,Faup,1998.

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