19 abr

Antônio Landi e sua contribuição arquitetônica em Belém do Pará

O estudo da evolução urbana nos leva a muitos questionamentos acerca do desenvolvimento das cidades, seus antecedentes históricos e fatores determinantes.  Levam-nos a refletir também em relação as suas características particulares, e não obstante, a respeito de sua arquitetura assim como, seus contribuintes, nesse caso, Antônio landi, que exerceu um papel crucial para a formação da cidade de Belém.

Antônio José Landi ou Giuseppe Antônio Landi (nome italiano de origem) nascido em Bolonha, Itália em 1713, dedicou grande parte de sua vida à função de arquiteto, sendo honrosamente reconhecido pela sua participação na Academia Clementina, uma das mais importantes academias de artistas na Itália, por suas obras em Bolonha, e com mais ênfase na Amazônia. Também dedicou-se à função de professor com especialidades em Arquitetura e perspectiva em seu país. Realizou também vários trabalhos como escultor. Pelo seu excelente trabalho, o arquiteto italiano foi encarregado pelo carmelita João Alvares de Gusmão a pedido do Rei de Portugal de trabalhar como cartógrafo, sendo convidado para uma expedição na América do Sul, traçando desenhos que demonstravam a demarcação fronteiras pertencentes entre Portugal e Espanha, propostas pelo Tratado de Madri datado em 1750, que substitui o Tratado de Tordesilhas e impunha literalmente os limites entre as colônias portuguesas e espanholas.

Eis que surge a oportunidade de trabalhar ao norte do Brasil, Landi então depara-se com a região amazônica, seguindo a princípio para a cidade de Barcelos, bastante diferente do plano europeu a que estava acostumado a vivenciar. Transfere-se para um novo cenário trata-se Belém, capital paraense, situada na região amazônica ao norte do Brasil.

Quando o arquiteto chega a Belém do Pará no ano de 1753, depara-se com uma cidade rica em cultura e biodiversidade, mas bastante atrasada em relação ao que o mundo europeu passava no momento. Entretanto, Belém, assim como as outras cidades, na época era um ambiente extremamente marcado pela política pombalina, que fixava a construções de fortificações em prol da defesa contra invasores estrangeiros.

Para Antônio Landi, coube uma tarefa única, observar a cidade de Belém como um novo ambiente, diferente dos padrões europeus com que estava acostumado a analisar e representar, de qualquer forma o arquiteto soube adequar a um estilo mais barroco, mesmo quando o neoclássico ainda perdurava no Brasil. Dentre as obras mais importantes que fixou no Pará, encontram-se: A Catedral Metropolitana de Belém, O Palácio dos Governadores e a Casa das Onze janelas.

A Catedral Metropolitana de Belém, conhecida também como, Catedral da Sé, que teve inicio em 1748, na qual ocorreram muitas interrupções em torno de suas obras e definições, até que, Landi passa a assumi-la em 1755. Nela o arquiteto propôs algumas modificações, como por exemplo, a inserção das duas torres que foram projetadas quando a obra estava estagnada e as gravuras feitas por ele mesmo, que deslumbram ainda mais a catedral. Antônio José Landi é reconhecido como arquiteto de grande parte da devida construção que concluiu-se em torno de 18 anos.

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Catedral Metropolitana de Belém

Outra obra ilustre de Landi é o Palácio dos Governadores (atualmente, Museu do Estado do Pará) que após várias propostas de projeto, finalmente é aceita entre 1768 e 1772. O edifício se apresenta em dois pavimentos, reflete aspectos arquitetônicos relativos ao período colonial, dispostos horizontalmente, sendo acompanhados por aberturas equivalentes e simétricas e a escada principal segue o modelo das construções italianas do século XVI. A obra é conhecida por ser um dos trabalhos mais nobres e influentes que o arquiteto italiano já exerceu.

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O Palácio dos Governadores

Nos anos de 1768 e 1769, Landi propõe uma transformação de uma das casas de Domingos da Costa Bacelar em Hospital Real Militar, seguindo os padrões do Palácio dos Governadores com simetria e linearidade nas aberturas, concebendo as onze janelas nas fachadas, cuja quais fundaram a Casa das Onze Janelas, nomeada até hoje.

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Casa das Onze Janelas

Era um profissional radicado na doutrina Católica, fervoroso e devoto de santa Ana, tanto é que construiu uma capela em homenagem à ela, demonstrando por vezes, que sua arquitetura estava ligada ao fator religioso.

Antonio Landi dedicou-se também ao cultivo de canaviais e engenhos de açúcar, olarias e possuindo fábricas de materiais de construção diferenciados que o auxiliavam nos aspectos construtivos de sua arquitetura. Destacou-se também como desenhista enquadrado no âmbito naturalista, pois, exibia desenhos da fauna e floresta amazônica e faleceu aos 78 anos em Belém, encerrando assim sua gloriosa jornada.

Europeu, arquiteto, cartógrafo, astrônomo, desenhista, foi com essa gama de habilidades que Landi aventurou-se na Amazônia e inseriu novos padrões que caracterizaram a cidade de Belém elevando seu grau cultural e urbano, fazendo com que a cidade, em especial, se torne uma referência do período de atuação deste importante profissional. Então, se falarmos a respeito de Antônio Landi, estaríamos diretamente mencionando sobre a origem de Belém, seus percursos iniciais que o levaram a instituir um acervo artístico relativo à arquitetura na cidade, proporcionando um aumento cultural e orgulhando ainda mais não só o povo paraense, mas todos aqueles que se maravilham com o excelente trabalho de um europeu tipicamente paraense, como Landi se considerava.

REFERÊNCIAS

TRINDADE, Elna Maria Andersen. Palácio de residência dos governadores das capitanias do Grão-Pará e Maranhão: O projeto de Landi. Curso de Arquitetura de urbanismo: UFPA.

http://www.itaucultural.org.br

http://www.forumlandi.ufpa.br

http://parahistorico.blogspot.com/

comentários

Bianca Moro de Carvalho 20/4/2011 - 01h 51

Olá Katrícia, estamos muito contentes por sua contribuição.
O texto está maravilhoso. Com cara de pesquisadora.Grande Abraço

Renato Lobato 20/4/2011 - 16h 59

Adorei o post e a fascinante trajetória de Antônio Landi atuando em Belém. Parabéns.

Luana 21/4/2011 - 11h 22

Katrícia amei o texto. vc escreve tão bem! Parabens!!!

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