28 jul

O mar de água doce e as casas flutuantes: uma viagem ao meio da Floresta Amazônica.

Uma tradicional música do norte do Brasil, intitulada “Esse rio é minha rua”, tem a seguinte citação “Esse rio é minha rua / Minha e tua, mururé / Piso no peito da lua / Deito no chão da maré”, a música composta por dois paraenses, Paulo André e Rui Barata, tem o objetivo de passar a mensagem de como é importante a relação entre os ribeirinhos e o rio, num convívio intenso e constante, que já dura séculos, pois descente dos primeiros habitantes brasileiros: os índios.

Imagem de ribeirinhos e sua relação com o rio; ao fundo temos uma típica comunidade flutuante.

Séculos atrás, quando o espanhol Vicente Pinzón – primeiro explorador a registrar uma viagem à Amazônia, em 1500 – chegou à região, comentou que o que ele via era um “Mar de água doce”, atualmente sabe-se que ele se referia a foz do Rio Amazonas. Esse comentário feito por Pinzón demonstra o quão a Amazônia é capaz de impressionar, mesmo nos dias de hoje essa imensidão, dividida entre as florestas e os rios, ainda tira o folego de quem tem a chance de admirar. No entanto, poucos são aqueles que a conhecem com intimidade, neste caso, os ribeirinhos e os índios da Amazônia. Eles utilizam a região de todas as formas: transporte, sustento, lar, etc. e são capazes de conviver em harmonia nesta imensidão.

Imagens aéreas da floresta amazônica e a chagada a Manaus, capital do estado do Amazonas.

Quase 60% do território brasileiro é ocupado pela região amazônica. São centenas de rios e milhares de furos (canais entre os rios), que representam as ruas e estradas da região. Essas estradas podem mudar de local todo ano, pois a cada cheia a água traça novos caminhos, por esse móvito só quem vive na região é capaz de conhecer profundamente suas passagens. Essas características da Amazônia já aparecem ao primeiro olhar da janela do avião: é apenas a imensidão verde e marrom, formada pelas copas das árvores e os traçados dos rios. Além disso, as peculiaridades da Amazônia também podem ser vislumbradas em Manaus, no encontro das águas dos rios Negro e Solimões. A interminável luta das águas marrons do Solimões, nitidamente contrastadas nas águas escuras do Rio Negro, esse encontro dura quase 7 km, até que eles se unem e fluem em direção ao mar com o nome do maior rio em volume do mundo, o Rio Amazonas.

O incrível encontro das águas do Rio Negro e Solimões.

Uma demonstração das diferenças nas tonalidades dos dois rios.

A Amazônia é um lugar tão incrível que grande parte de sua população mora nas margens ou perto das margens dos rios. Os caminhos aquáticos são praticamente a única forma de transporte entre as comunidades. Uma das principais características dessa população que ocupa a região são as casas flutuantes. Grande parte das famílias se utiliza desse tipo de habitação. As casas flutuantes são feitas em madeira com poucas divisões internas e suspensas por grandes troncos de madeira que permitem a flutuação das mesmas, as habitações são presas por cordas em árvores para que a força do rio não as carreguem conforme sua vontade.

Imagens das impressionantes casas flutuantes.

Em destaque temos os troncos de madeira que permitem a flutuação das habitações.

É uma alternativa muito funcional para a região, pois a habitação flutuante se adequa automaticamente as constantes cheias e vazantes do rio, indo de acordo com o ritmo das aguas: se ela sobe, a habitação acompanha esse movimento, o mesmo ocorrendo quando chega a vazante, esse fenômeno é chamado de ciclos das marés. Além disso, não são somente as habitações que são flutuantes, comunidades inteiras possuem essas características, com igrejas, escolas, restaurantes, feiras, tudo sobre troncos gigantes flutuando no rio.

Nas imagens acima temos restaurantes e feiras flutuantes.

Comunidades ribeirinhas e suas típicas habitações flutuantes.

A vida na Amazônia, principalmente nas pequenas comunidades, é diferente de tudo o que se possa imaginar em uma grande cidade. Não existem estradas ligando as comunidades ribeirinhas, o que é bastante positivo para a preservação da floresta. Com a quantidade de rios existentes, a vontade de mergulhar é grande, porém na maioria deles a natação não é muito recomendada, os perigos vão desde piranhas e cobras até jacarés, mas a vista da beleza natural é indescritível. Para a locomoção é utilizado uma pequena canoa equipada com um motor rabeta, geralmente com pouca potencia e velocidade, ou, quando não possuem o motor, utilizam o remo, por isso as viagens entre as comunidades podem levar dias.

As fotos acima representam um passeio pelas florestas de igapó, que são as florestas inundadas da região.

Contudo isso, nos tempos de um mundo globalizado, passar algum tempo sem internet é uma experiência enriquecedora, pois encontramos um povo acolhedor, levando uma vida que poderia ser confundida com a de alguns séculos atrás, porém são muito felizes com o que possuem: os recursos da floresta. Em locais como esses é que percebemos o tamanho e as verdadeiras riquezas do Brasil. Nesta viagem ficou bem claro que o mar de água doce de Pinzón ainda é capaz de enfeitiçar e cativar da mesma maneira que fez com o explorador espanhol, 511 anos atrás.

comentários

Aline Franklin Furtado 28/7/2011 - 16h 40

Esplendido ve o encontro do Rio Negro com o Rio Solimões … e a ousadia do povo ribeirinho nas construções de casas, restaurantes. Parabéns pelo texto … muito bom!!!!!!!!! :D

Cristal Santiago 29/7/2011 - 21h 53

Parabéns, Renato, pela matéria. Eu adorei saber todas essas riquezas sobre a Amazônia. Beijos.

Arielem Lopes 22/9/2014 - 11h 06

Essa matéria está incrível!!! moro no Amazonas e tenho muito orgulho de pertencer à este lugar, suas paisagens são realmente indescritíveis, tenho orgulho de ser AMAZONENSE!!!! bjsssssss……..

Daisypcg 20/1/2016 - 21h 31

Muitoo bonito! E Organizado1 Bom!!!!!!!!!!!!

Daisypcg 20/1/2016 - 21h 33

Muitoo bonito! E Organizado! Bom!!!!!!!!!!!! Ha! Eu Gostaria de tambem fazer parte tambem

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