6 set

MANAUS: A TERRA DOS DEUSES E A METRÓPOLE DA FLORESTA AMAZÔNICA

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Ilustração de Jacy Corrêa Neto

Manaus é o maior centro urbano da região norte. Portadora de pontos atrativos e turísticos conhecidos pelo mundo todo e guardiã de uma rica história, tecida nas margens e encostas dos rios pelos emaranhados de cipós de sua densa floresta tropical, contrastados com os diversos costumes e com a industrialização.

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A cidade manauara é a capital do maior estado brasileiro, o Amazonas. Sua ocupação e colonização deram-se com a chegada de portugueses. A descoberta desse território iniciou-se quando um desbravador lusitano chamado Francisco Orellana descobriu o Rio Negro em junho de 1542 e esse acontecimento proporcionou a povoação que se iniciou entre 1580 e 1640 durante a união das coroas portuguesa e espanhola.

Nos anos de 1637 a 1639 a região do Amazonas configurou-se pelo domínio da Coroa Portuguesa através de uma expedição comandada pelo explorador Pedro Teixeira. O povoamento do território foi demorado, as causas estavam aliadas ao isolamento geográfico, ocasionado pela densa floresta, além do que o desconhecimento em curto prazo da existência de riquezas minerais, como o ouro e a prata, afetava os interesses comerciais portugueses.

Porém a presença de indígenas na área despertou a cobiça portuguesa, expedições foram enviadas com o objetivo de capturar os nativos e incorporá-los ao comércio escravista. Aos poucos o rincão amazônico era desbravado, a Amazônia mostrava-se para o mundo despertando a cobiça de colonizadores. Em função disso em 1669 foi criado um forte lusitano chamado de Forte São José da Barra, cuja finalidade era auxiliar no combate a reinos invasores, explorar o território manaura e firmar o domínio português. No entorno da fortificação passou a existir o arraial da Barra do Rio Negro que posteriormente deu origem a cidade de Manaus.

A região amazonense possuía diversas tribos indígenas, dentre elas os manaós e barés. Este fator foi responsável pelo nome empregado à capital, que tem origens ligadas à tribo indígena manaós, pois essa esta era nativa da região e o termo indígena “manaós” significa “terras dos deuses”.

A Cidade dos Deuses foi palco de acontecimentos relevantes no que se de diz respeito à história socioeconômica da Amazônia, dentre esses fatos destaca-se a época áurea da borracha. A extração de látex natural obtido através do sangramento dos seringais possibilitou um dos ápices econômicos de Manaus.

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Os impactos advindos da extração da borracha incidiram positivamente na economia cidade manaura, o que permitiu a instalação que serviços e equipamentos urbanos como o transporte coletivo de bondes elétricos, serviços de telefonia, saneamento básico e energia elétrica fossem implantados. O desenvolvimento foi tão notável que se instalou na cidade um porto flutuante capaz de receber navios gigantescos de outros países, principalmente os pertencentes à Europa.

A matéria-prima produzida nas florestas era cada vez mais solicitada pelas indústrias mundiais, o que resultou num intensificado processo migratório para o lugar. Os migrantes eram oriundos de países como Inglaterra, França, Grécia, Itália, Espanha, Portugal, essas pessoas traziam consigo uma gama de ideais, aspirações típicas do universo europeu. Existiam também os que provinham do nordeste brasileiro que compunham a mão-de-obra utilizada largamente na extração da borracha.

A cidade aderira à cultura da Belle Époque. Ruas retas adeptas ao urbanismo ortogonal, calçadas alongadas feitas com granito e pedras importadas se estendiam pelo traço urbano, as praças e jardins exuberantes transmitiam ares de uma urbe europeia na Amazônia. Hotéis luxuosos, palacetes, fontes, monumentos e o magnífico Teatro Amazonas também foram edificados segundo o rigor europeu.

A euforia gerada pela o “ouro verde” retirado das seringueiras foi significativamente impactada em 1910 pela produção de borracha na Ásia. A maioria dos compradores internacionais de látex brasileiro aderiu ao mercado asiático e a hegemonia comercial manaura agonizava, a economia de uma cidade amazônica declinara substancialmente.

Na década de 1960 a cidade de Manaus pôde renascer seu poderio econômico, não mais com o comércio do látex, mas com a implantação da Zona Franca de Manaus. Mais uma vez a cidade da floresta retoma seu lugar na economia nacional e mundial, tornando-se evidência entre as capitais mais ricas do Brasil. Novamente a capital amazonense torna-se palco de movimentos migratórios, o que acarretou em um aumento demográfico, que posteriormente sucedeu num crescimento acelerado da cidade.

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O clima tropical manaura caracterizado por ser quente e úmido não se torna um obstáculo tão temível para os turistas. Os atrativos turísticos encontrados na cidade se compõem os mais diversos. Manaus possui parques e extensos bosques que abrigam milhares espécies animais e vegetais, deslumbrantes hotéis, edificações e monumentos históricos que expõem a trajetória arquitetônica do lugar. Por situar-se na confluência dos rios Negro e Solimões, que fazem parte do maior rio do mundo, o Amazonas, a procura pela prática do ecoturismo é extensa, os turistas podem apreciar a natureza viajando em embarcações de pequeno, médio e até de grande porte, como no caso de transatlânticos.

A metrópole, circunscrita na floresta nos reserva inesquecíveis belezas e um patrimônio cultural sem precedentes. Uma cidade enriquecida pelos seus mistérios e lendas que comprovam a imensidão e diversidade da Amazônia, esta que há muito tempo esteve no imaginário e nas ações do ser humano, nunca para, nem dorme, se dinamiza como uma metamorfose.

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REFERÊNCIAS

COSTA, Graciete. Manaus: Moderna ou Contemporânea?

SERÁFICO, José; SERÁFICO, Marcelo. A Zona Franca de Manaus e o capitalismo no Brasil.

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